Giovane Montenegro: a paixão pelo futebol que o levou à Seleção Brasileira de Futebol de Cegos
Representar o Brasil é o sonho de muitos atletas. Para Giovane Montenegro, goleiro de futebol de cegos, essa conquista é resultado de uma trajetória marcada pela paixão pelo futebol, pela dedicação e pela busca constante por evolução.
Em entrevista à GK12, Giovane compartilha sua história no esporte, explica as particularidades do futebol de cegos, fala sobre a responsabilidade de atuar como goleiro e relembra um dos momentos mais especiais de sua carreira: sua primeira convocação para a Seleção Brasileira.
Além de contar suas experiências, o atleta deixa uma mensagem inspiradora para quem enfrenta dificuldades e deseja transformar seus sonhos em realidade.
Confira a entrevista completa
1. Como começou sua trajetória no futebol de cegos e o que representa para você chegar à Seleção Brasileira?
Minha história com o esporte vem de muito tempo. Sempre fui apaixonado por futebol e, quando o futebol de cegos entrou na minha vida, eu não imaginava tudo que ele ainda iria me proporcionar.
Comecei como goleiro, fui me dedicando, aprendendo cada vez mais sobre a modalidade e buscando evoluir. Aos poucos vieram as oportunidades, as competições e, posteriormente, a Seleção Brasileira.
Hoje, quando olho para trás e vejo tudo que vivi através desse esporte, tenho muito orgulho da minha trajetória.
2. Para quem não conhece o futebol de cegos, como você explicaria a modalidade? O que mais impressiona quem assiste pela primeira vez?
É um esporte incrível. Os jogadores de linha são atletas com deficiência visual da classe B1 e utilizam vendas para garantir igualdade durante a partida.
A bola possui um sistema sonoro, então eles se orientam principalmente pela audição, além da comunicação que acontece dentro de quadra.
Acho que o que mais impressiona quem assiste pela primeira vez é a intensidade. A velocidade, a habilidade, os dribles, as finalizações… muita gente chega sem saber o que esperar e termina impressionada com o nível dos atletas.
3. Qual é a responsabilidade do goleiro no futebol de cegos, além de realizar as defesas?
É uma responsabilidade muito grande. Como goleiro, além da função de defender, eu também tenho um papel importante na orientação dos jogadores.
Preciso estar muito concentrado, observar o posicionamento e passar informações de maneira rápida, clara e objetiva. Existe muita confiança envolvida.
Durante uma partida, a comunicação precisa funcionar muito bem porque qualquer informação dada no momento errado pode interferir na jogada.
Então você acaba sendo, além de goleiro, mais uma referência de orientação dentro do jogo.
4. Qual foi o momento mais marcante da sua trajetória com a Seleção Brasileira?
Sem dúvida, um dos momentos mais marcantes foi a minha primeira convocação para a Seleção Brasileira. É algo que eu sonhava e, quando aconteceu, foi difícil até explicar o sentimento.
E ficou ainda mais especial porque tive a oportunidade de estrear com a camisa do Brasil no Desafio das Américas, uma competição em que fomos campeões.
Então foi tudo muito intenso: primeira convocação, primeira vez representando oficialmente o meu país e já conquistar um título.
É uma lembrança que carrego com muito carinho e que marcou o início da minha história com a Seleção Brasileira.
5. Que mensagem você deixaria para uma pessoa que enfrenta dificuldades ou acredita que uma limitação pode impedi-la de realizar seus sonhos?
Eu diria para essa pessoa não deixar que uma limitação determine até onde ela pode chegar.
O esporte me ensinou que cada pessoa tem sua história, suas dificuldades e seu próprio caminho. Nem sempre vai ser fácil. Vai ter momento de dúvida, dificuldade e até vontade de desistir.
Mas é preciso acreditar, trabalhar e continuar tentando.
Hoje eu tenho a oportunidade de representar meu país e viver coisas que um dia também foram apenas sonhos.
"Não coloque um limite no seu sonho antes mesmo de tentar."
Uma história que inspira dentro e fora de campo
A trajetória de Giovane Montenegro mostra que o esporte vai muito além das competições e dos resultados. É também um caminho de aprendizado, desenvolvimento e realização de sonhos.
Sua experiência como goleiro da Seleção Brasileira de Futebol de Cegos evidencia a importância da concentração, da comunicação, da confiança e do trabalho em equipe em uma modalidade que exige alto nível técnico e preparação.
Com sua história, Giovane também deixa uma mensagem que ultrapassa as quadras: as dificuldades fazem parte da caminhada, mas não precisam determinar onde podemos chegar.
Na GK12, acreditamos que o futebol é feito de pessoas, histórias e conquistas que merecem ser compartilhadas. Dar visibilidade a atletas como Giovane é uma forma de valorizar o esporte e inspirar a próxima geração de goleiros.